Na sessão anterior da Câmara de Vereadores, em
20/06, o vereador Gilvan Florêncio (sem partido) já
havia alertado aos demais colegas sobre os equívocos
encontrados no Projeto de Lei 019/2006, que dispõe sobre
as diretrizes orçamentárias para o exercício
de 2007, enviado pela controladoria do Executivo para votação
no Legislativo.
De acordo com Gilvan, além de conter muitos erros de
linguagem, o projeto excluía dois parágrafos que
garantem a participação da comunidade na discussão
do orçamento e aumentava para 8% o repasse para o próprio
Legislativo.
Segundo o vereador, este remanejamento é fixado em 7%
obedecendo ao inciso II, artigo II da Emenda Constitucional
da Lei de Responsabilidade Fiscal. “Se for aprovado deste
jeito, isto pode acarretar sérios problemas para o senhor”,
alertou o edil, se dirigindo ao presidente da Casa, Helio de
Paula, o que motivou uma pausa de 5 minutos na sessão.
Ao retornarem, os vereadores optaram pelo pedido de vistas no
projeto, o que acarretou outra sessão extraordinária
que ocorreu na manhã de quinta-feira 29/06.
“Votamos pela segunda vez a LDO e a aprovamos com os ajustes
necessários”, declarou Gilvan por telefone, confirmando
a reinclusão dos parágrafos que garantem a participação
da sociedade na elaboração do orçamento,
e a correção de 8% para 7% no repasse para o Legislativo,
que feria a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Ainda de acordo com Florêncio, o empenho do assessor jurídico
da Prefeitura, Roni Guerra, do procurador do município,
Glauco Tourinho e do vice-prefeito e secretário de Finanças,
Miguel Ballejo, foram essenciais na negociação.
“Não podemos votar aleatóriamente tudo que
chega na Câmara. Temos que analisar com critério
para não prejudicarmos a sociedade”, diz o combativo
vereador.
Tumultuando
ainda mais o mesmo projeto, na sessão de terça-feira,
o representante do distrito de Pindorama, vereador Aparecido
Viana, resolveu anexar 23 emendas pleiteando construções
de estádios, mercados municipais, postos policiais e
quadras poliesportivas em diversos bairros e distritos do município,
prolongando demasiadamente a sessão, irritando alguns
populares e ao próprio vereador Gilvan Florêncio.
“Não estou aqui para fazer politicagem e sim política”,
desabafou Gilvan, que votou desfavoravelmente às emendas
de seu colega, salientando que estas medidas levam falsas esperanças
ao povo de Porto Seguro. “Se já está difícil
a reforma de um estádio, imagina a construção
de outros”.
Quanto à indicação por Cido da construção
de mercados municipais no Baianão e no Campinho, Gilvan
lembra que estas obras já estão até licitadas.
“Me recordo do ex-vereador Bittencourt, que no governo
de Ubaldino, procurava saber com o prefeito quais as prioridades
de obras do Executivo e as indicava nas sessões da Câmara”,
disse ironicamente.
Já o representante do Baianão, vereador Antonio
Macedo, que desde quando assumiu o cargo, briga pala aquisição
de uma única ambulância para o bairro de 50 mil
habitantes, votou a favor da compra destes veículos na
indicação de Aparecido Viana.
“Acho que até o final do ano o prefeito deve mandar
nossa bulânça ”, disse um magoado vereador,
esquecendo-se talvez, que indicação não
é a efetivação do pleito, e que de todas
as emendas apresentadas, possivelmente, Cido possa conseguir
um ou outro benefício.
“Pode ser que o colega apresente uma nova Reforma Tributária
e arroche ainda mais os contribuintes”, ironizou, Gilvan,
pois só assim a Prefeitura teria recursos financeiros
para atender os pedidos de Aparecido Viana.
“Esta é a minha função! É
o meu papel!”, afirmava em plenário o vereador
Cido, tentando explicar sua utópica proposta.