Em tumultuada sessão na Câmara Municipal, terça-feira,
20/06, que contou com a presença de aproximadamente 150
pessoas, a maioria composta por profissionais da Educação
que compareceram visando pressionar os vereadores a votarem
desfavoráveis aos projetos de Lei 0020/2006 e 0021/2006,
ambos do Poder Executivo, que pleiteia mudanças nas Leis
422/01 e 424/01, e que de acordo com os educadores, pode habilitar
o prefeito a indicar diretores e vice-diretores de estabelecimentos
de ensino do município a assumirem os cargos sem a necessidade
de concursos públicos, os representantes do Legislativo,
com exceção do vereador Gilvan Florêncio
e de Roló (ausente), aprovaram em primeira votação
o projeto do prefeito.
Mesmo antes da votação, durante o Pequeno Expediente,
com alguns vereadores já insinuando suas pretensões
de votar favoravelmente ao projeto, as vaias ecoaram no plenário.
Martins, Tia Nega, Heliana das Virgens, Macedo, Nido, Cido,
Pastor Erivaldo, e Dilmo Santiago não se intimidaram
com a grande presença de público e votaram favoravelmente
às mudanças, que no entender de representantes
da APLB (Sindicato dos Trabalhadores em Educação
do Estado da Bahia - Costa do Descobrimento), professores e
do vereador Gilvan, delega poderes ao prefeito de manipular
a direção dos colégios, se caracterizando
como um retrocesso. “Um diretor contratado jamais vai
se manifestar contrário às exigências da
administração com receio de ser demitido”,
alegou um professor, reiterando que caso se concretize a aprovação
da lei em segunda votação, a classe dos profissionais
do ensino sairá enfraquecida.
No entanto, ainda existe a possibilidade de que na próxima
votação uma emenda seja anexada ao projeto, obrigando
o Poder Executivo a destinar 50% dos cargos a serem preenchidos
por servidores concursados. Uma outra possibilidade é
a de que o prefeito retire o projeto de lei da pauta de votação
do Legislativo e assuma um compromisso com o sindicato dos educadores
em reformular o Estatuto do Magistério acertando com
a representatividade da classe como se daria a escolha de diretores
e vice-diretores a partir de 2007.
Professores, representantes da APLB e alunos da Rede Municipal
de Ensino prometem na próxima sessão da Câmara,
terça-feira, 27/06, agitarem novamente o plenário
do Legislativo.
Gilvan também não poupou criticas à controladoria
da Prefeitura, que elaborou o Projeto de Lei 019/2006, dispondo
sobre as diretrizes orçamentárias para o exercício
de 2007. “Este projeto é outra prova de que a Controladoria
não controla nada, e de que o prefeito está mal
assessorado”, dispara Gilvan, que em primeira análise
detectou diversos erros técnicos agravados por erros
de linguagem. Entretanto o que mais abismou o vereador, foi
o fato do projeto de lei não permitir que o cidadão
participe da discussão do orçamento. “Já
comuniquei ao vice-prefeito Miguel Ballejo esta aberração
e me foi prometido por ele uma reavaliação do
projeto”, destacou Gilvan.