A
decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir
showmícios, veiculação de propaganda em
outdoors e a distribuição de brindes nas eleições
deste ano está provocando dúvidas entre os candidatos.
O presidente do tribunal, ministro Marco Aurélio de Mello,
inclusive, admite que a validade ou não das mudanças
poderá ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
"Pode parar no Supremo, pois temos o controle constitucional.
Mas não acredito que isso aconteça porque a sociedade
aplaude avanços e a lei implicou em avanços",
disse o ministro Marco Aurélio Mello na última
semana.
Na quinta-feira da semana passada, dia 25, menos de 24 horas
depois do TSE ter aceito a maior parte das mudanças na
legislação aprovadas pelo Congresso, parlamentares
federais enviaram cinco consultas ao tribunal. Eles querem saber,
por exemplo, se é permitido o uso de telões e
trios elétricos em comícios e se os eleitores
podem confeccionar por conta própria camisetas de candidatos.
As consultas foram feitas pelo senador César Borges (PFL-BA)
e pelos deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e José Carlos
Araújo (PFL-BA).
Segundo o ministro Marco Aurélio, o tribunal adotou
uma posição menos ortodoxa ao validar já
para esta eleição quase todos os pontos da lei.
Quem se sentir lesado pode recorrer ao STF pedindo o cumprimento
do princípio da anualidade, que determina que mudanças
nas regras devem ser feitas um ano antes das eleições.
"O tribunal deixou de lado a ortodoxia. Evoluiu para atender
ao interesse público e a necessidade de lisura nas eleições.
Se há duas interpretações e uma delas atende
melhor ao interesse público, convém adotá-la",
justificou o ministro.
Mesmo avaliando como positivas as alterações feitas
pela mini-reforma eleitoral aprovada na semana passada, o coordenador
do Fórum pela Moralidade Eleitoral, realizado no último
sábado, em São Paulo, Fernando Neves, se diz preocupado
com o fato de elas se darem em ano eleitoral.
Ele
prevê um efeito moralizador com as mudanças, mas
diz que elas, pelo momento em que foram aprovadas, podem causar
insegurança jurídica. Ele afirma que a alteração
pode diminuir o custo da campanha e admite que as mudanças
dentro deste prazo foram feitas no intuito de aprimorar o processo
eleitoral.
Avaliando a proibição na distribuição
de brindes, camisetas e bonés, ele diz que essa proibição
de confecção e distribuição por
candidato e partidos políticos vai reduzir sensivelmente
o gasto das campanhas eleitorais, mas se mostra preocupado porque
isso diminui a possibilidade do candidato não conhecido
se tornar conhecido. É uma vantagem para aqueles candidatos
que já estão na mídia, que já exercem
cargos públicos. Eles não têm tanta dificuldade
de se tornar conhecidos porque já o são. Agora,
os que nunca disputaram uma eleição e que têm
mais dificuldades em chegar ao eleitor precisam dos meios, e
um deles é a propaganda.
Segundo o advogado, o TSE não só entendeu que
as restrições às pesquisas não podem
ser aplicadas à eleição de 2006 como não
pode ser aplicada nunca, porque restringe o direito de informação.
"Entendo que, mais que isso, restringe o direito do eleitor
de ser informado sobre a situação da pesquisa.
Eu acho que o eleitor não deve definir o seu voto com
base em quem está na frente ou em quem tem chance de
fazer um segundo turno, mas não posso impedir o eleitor
de pensar assim. Acho errado, mas acho que é direito
do eleitor". Concluindo, ele afirmou que as pesquisas poderão
ser publicadas até o dia da eleição.
O pré-candidato de Porto Seguro a disputar uma cadeira
na Assembléia Legislativa, Aziz Ramos (PT), e que deverá
ter muitos votos, caso seja o escolhido na convenção
do partido, acha ainda bastante tímida as novas regras
do TSE.
“Uma das grandes injustiças nas eleições
é o uso do poder econômico, pois normalmente quem
mais gasta, tem maiores chances de se eleger. Mas mesmo assim
já é um bom começo”, avalia Aziz,
salientando que não existe interesse do Congresso em
aprovar leis mais rígidas, pois eles são os principais
beneficiados.