Apenas três vereadores conseguem derrubar a instalação da Câmara Itinerante
 
- 10/05/06


Na contra-mão da democracia e dificultando o exercício da cidadania, a Câmara de Vereadores de Porto Seguro, mesmo com casa cheia, onde dezenas de pessoas acompanharam a sessão do lado de fora, ontem 09/05/, perdeu a oportunidade de demonstrar à comunidade o seu real comprometimento com a sociedade, ao rejeitar pela segunda vez, o Projeto de Lei 009/2006, de autoria dos edis Gilvan Florêncio e Carlito Martins, que procuravam instituir a Câmara Itinerante; proposta que tem como principal objetivo aproximar a comunidade do Legislativo ao realizar as sessões em bairros periféricos e longínquos distritos. Dessa forma, a população, que geralmente não tem condições de participar das reuniões ordinárias, ficaria conhecendo um pouco sobre as normas da Câmara. Essa também seria a oportunidade para que o eleitor visse a atuação do seu vereador, tanto em relação aos projetos em votação quanto em relação às indicações feitas ao Executivo. A grande novidade seria a participação de líderes comunitários, que previamente escolhidos, poderiam discutir com os vereadores as leis municipais que interessam a cada setor.

Com a ausência da vereadora "Tia Nega", representante do distrito de Pindorama, que faltou à importante reunião, os vereadores presentes, após intensas e calorosas discussões, tentaram sensibilizar os colegas visando à aprovação, logo após, o presidente da Casa, Hélio de Paula, colocou o projeto em pauta de votação.
Aparecido Viana, Heliana, Ronildo Vinhas, Pastor Erivaldo, Martins e Gilvan Florêncio, votaram a favor. Com discursos e explicações não muito convincentes, os vereadores Dilmo Santiago, Roló e Macedo, mesmo sob protestos dos presentes, votaram contra.
Para ser aprovado o projeto necessitava de pelo menos sete votos a favor.

O vereador Dilmo Santiago, se defendeu afirmando que votaria contrário ao projeto devido ao clima de insegurança que ronda a cidade, temendo talvez, um possível atentado em uma das sessões itinerantes, salientando que ele já faz o trabalho de ouvir a comunidade de seu distrito (Arraial d Ajuda). "Infelizmente a cidade está insegura e a bandidagem é maior que a nossa segurança", atestou seu parecer, sem provavelmente se dar conta, de que este pronunciamento, se caísse em mídia nacional, seria a derrocada total do turismo de Porto Seguro, pois se um vereador não se sente seguro na cidade o que será de um pobre turista?.

Já Roló, assume abertamente que votou desfavoravelmente pela segunda vez, alegando não reconhecer os benefícios que este projeto possa trazer. "Você não vê o Senado e nem a Assembléia Legislativa se deslocar e ir até ao eleitor. Não vejo necessidade da implantação da Câmara Itinerante". Questionado sobre a distância de muitos bairros e distritos, e a dificuldade de locomoção destas pessoas, o vereador acredita, que quando o cidadão quer, participa. "Isto não é justificativa para que o povo não compareça às sessões", diz o vereador, sem perceber que talvez possa estar instituindo uma nova e econômica maneira de angariar votos nas próximas eleições, onde o candidato não precisaria ir até aos bairros, e sim, aguardar a visita do possível eleitor em sua própria base.

Antonio Macedo, representante do Baianão, bairro que sofre com problemas crônicos de infra-estrutura, procurado pelo Porto Seguro Notícias no final da sessão para explicar seu voto contrário, atestou sua demagogia e seu completo despreparo para assumir uma cadeira no Legislativo. "Estou aqui para defender o interesse do povo", declarou se afastando, talvez por não ter subsídios verbais para explicar o inexplicável.


Carlito Martins, um dos autores do projeto, não escondia sua decepção ao ver rejeitado por alguns colegas, um trabalho que traria benefícios à sociedade. "Alegaram até falta de segurança o que não concordo, pois quando estamos em campanha temos que ir de encontro ao eleitor. Quem fica no prejuízo é a sociedade!", lamenta-se o vereador, que é integrante da bancada do governo. Já o edil Gilvan Florêncio, que em parceria com Martins elaborou o projeto, também disse estar muito frustrado com a reprovação. "O vereador deve defender os interesses de seus eleitores e não foi isso que vimos aqui hoje", destacou, salientando que nas próximas eleições, o cidadão deve se lembrar daqueles que não quiseram legitimar este direito à sociedade.

Outro que também demonstrava estar chateado era o presidente da Casa, Helio de Paula, que por exercer a presidência, não tem poder de voto, salvo em caso de empate.
"Sempre fui favorável ao projeto, e previamente já tinha combinado que em caso de empate votaria favoravelmente. Não vejo problema nenhum em realizar este trabalho junto à comunidade, pois foi o povo que nos elegeu. Problema de segurança também foi questionado e acho que não existe isso!", afirmou Hélio, frisando que no próximo pleito o povo deve saber dar a resposta nas urnas.

Mesmo com a reprovação, a Câmara deverá se deslocar aos bairros e distritos, respaldada por uma resolução do ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Manoel Raimundo Alves, pai do atual vereador Ronildo Vinhas. A pedido do insensato vereador Macedo, Hélio de Paula, confirmou a execução de uma sessão no Baianão, entretanto nenhum projeto poderá ser votado, pois sem a legitimidade oficial, a sessão não é considerada ordinária.
"Com a execução destas sessões, que acontecerão de acordo com as solicitações da comunidade, podemos apenas ter este contato direto com o povo e saber de suas necessidades, porém não poderemos aprovar nenhum projeto", finaliza o presidente da Câmara.