Um
show de cidadania, participação e democracia!
Assim podemos caracterizar a realização da audiência
pública que lotou o salão do Fórum Municipal
na última quarta-feira, 26/04, promovida pelo vereador
Gilvan Florêncio, objetivando debater com a comunidade,
os projetos de Lei 007/2006 e 0013/2006 do Poder Executivo,
que versam sobre a criação de 183 cargos de confiança
e sobre a realização de Concurso Público
da Prefeitura.
Há duas semanas atrás, Gilvan, em plenário,
pediu a retirada do projeto que chegou à Câmara
com pedido de urgência, sob a alegação de
que faltavam os anexos correspondentes, questionando seus colegas,
ao afirmar que os vereadores não podiam votar uma questão
sem saber sobre o que estavam votando. Demonstrando sapiência,
sensibilidade e consciência de seus deveres como representantes
do povo, os demais vereadores, após uma breve reunião,
unanimemente concordaram com Gilvan, e o presidente da Casa
Helio de Paula, anunciou a retirada do projeto da pauta de votação.
O prefeito Jânio Natal enviou para a sabatina, Waldomiro
Andrade, da Controladoria Geral do Município, Aloísio
Lacerda, supervisor administrativo, e Romana Pinto, diretora
pedagógica da Secretaria de Educação.
Durante a realização da audiência, com
a palavra franqueada ao público, por diversas vezes Gilvan
foi obrigado a pedir aos participantes para focarem as perguntas
sobre o tema que estava sendo debatido, pois como a maioria
dos presentes era formada por professores, algumas perguntas
estavam sendo formuladas visando esclarecer especificamente
o reajuste salarial da classe dos educadores.
Na opinião de Gilvan, existem obscuridades em alguns
itens do projeto, que não garantiam benefícios
já conquistados pelos servidores públicos. O edil
também queria saber o porque da criação
de 183 cargos de confiança, que de acordo com ele, dobra
o número destes postos, se comparada à lei anterior
de 2001.
No final, Waldomiro se comprometeu a reenviar o projeto às
respectivas secretarias administrativas, para que possam então
se adequar aos questionamentos levantados.
Com os devidos ajustes, provavelmente, na próxima sessão
da Câmara, os projetos deverão entrar na pauta
de votação.
"Este projeto 007 deixa dúvidas sobre a necessidade
da criação de tantos cargos, e o projeto 013,
não assegurava direitos conquistados pelo funcionalismo
publico, como a obrigatoriedade de 20% destes postos serem preenchidos
por servidores concursados, como também não especificava
o acréscimo de 30% na folha salarial daqueles que forem
ocupar cargos de confiança, benefícios já
conquistados anteriormente. Para o funcionalismo público
seria um retrocesso", explica Gilvan.
Questionado sobre a sua imposição parcial ao
projeto, e se acreditava na sua aprovação caso
não tivesse alertado aos demais colegas sobre estes questionamentos,
Gilvan disse que o principal dever do Poder Legislativo é
atender as demandas da sociedade.
"Acho que agora, alguns vereadores começam a aprender
que é necessário haver uma discussão maior
com a sociedade, e que este tipo de projeto não pode
ser votado aleatoriamente em regime de urgência como o
prefeito pediu. A presidência da Casa acatou meu pedido
para que só votasse o projeto após a audiência
pública. Sinceramente acho que se não tivesse
levantado estas dúvidas ele teria sido aprovado da forma
que estava", frisa o vereador. "Assim como eu, outros
colegas estão aprendendo como lidar com estes projetos
mais polêmicos! É necessário que a sociedade
participe e tenha conhecimento do que está acontecendo
na Câmara e com os projetos que o prefeito nos envia.
Quanto mais há participação popular, mais
a gente consolida a democracia em nosso país e em nosso
município. È fundamental a participação
da sociedade nestes procedimentos", avalia.
Já na opinião de Jailton dos Santos Lima, presidente
do SINSPPOR ( Sindicato dos Servidores Públicos Municipais
de Porto Seguro e Região), a administração
municipal atropelou o processo e enviou o projeto para votação
na Câmara sem consultar o sindicato.
"Havíamos combinado com Aloísio Lacerda nossa
participação na formulação do concurso
público, e confesso que levei um susto quando fui avisado
pelo vereador Gilvan que o mesmo já se encontrava na
Câmara para votação", afirma o presidente
do sindicato, salientando que o técnico da Prefeitura
admitiu o equívoco.
"A audiência foi positiva, pois alcançamos
nossos objetivos! A Prefeitura reconheceu alguns erros e demonstrou
flexibilidade", reconhece Lima.
De acordo com o vereador Gilvan Florêncio, o promotor
do Ministério Público, Maurício Magnavita
foi convidado com antecedência e teria confirmado presença,
entretanto não compareceu.