Embate esperado na sessão da Câmara entre Nido e Dilmo, não produziu nem
 
faíscas - 19/04/06



Na sessão da Câmara de ontem, a expectativa era de que os vereadores Ronildo Vinhas, o Nido, e Dilmo Santiago, se atacassem mutuamente, como reflexo de um imbróglio político, criado no final de semana passado no Arraial d Ajuda. Tudo começou quando Dilmo, na sessão anterior, se manifestou com certa contrariedade pela interferência do presidente da Câmara, Hélio de Paula, junto à Secretaria de Meio Ambiente, que tinha indeferido o alvará para a apresentação da Banda Asas Livres.


A pedido de Nido, Hélio procurou saber qual o motivo alegado pela secretaria para não permitir o show.
Por outro lado, Dilmo alegava que havia um acordo entre a administração distrital e promotores de eventos locais, que shows públicos no Arraial, só poderiam acontecer no Parque Central. Entretanto, os responsáveis que promoviam o show da banda Asas Livres, afirmaram que já possuíam uma autorização do administrador do distrito, Pedro Rodrigues, o que de certa forma contrariava os interesses de Dilmo, que possivelmente defendia a apresentação da Banda Asas Morenas, agendada para o mesmo dia do show da Asas Livres (15/04).
O vereador Dilmo também foi acusado de quase ter partido para a agressao física contra um grupo que defendia o show, ocorrido no último sábado, quando teria xingado com palavras de baixo calão, o responsável pelo carro de som que divulgava o evento.
Mesmo contra a vontade do vereador Dilmo, o show aconteceu por força de uma liminar da Justiça local.

Ontem, ao fazer o uso da palavra, Ronildo Vinhas, classificou o acontecimento como "picuinhas políticas", dando a entender que para ele o assunto estava encerrado, pedindo desculpas aos presentes e aos colegas, por mais uma vez se ver obrigado a usar o parlatório para tratar de uma banalidade, destacando que a população espera deles, vereadores, empenho em coisas mais importantes.

Por sua vez, Dilmo ao se pronunciar, explicou, que mesmo sendo líder da bancada governista, não tem poder de interferência na administração municipal, e que bateu boca com o sonorizador, pois teria cobrado do mesmo a licença de execução do serviço sonoro, e lhe foi apresentado uma licença do ano passado. "Sou nervoso, nunca escondi isso de ninguém", admite o vereador, ressaltando, que tentaram fazer com que ele agredisse um deficiente físico, entretanto, sua esposa percebeu a manobra e o retirou do local.
Com uma fisionomia carregada e que não escondia sua chateação com a execução do show, acabou se desgastando a toa.

O presidente Hélio também se manifestou, e afirmou que procurou saber o que tinha ocorrido na SMA, como maneira de auxiliar a um colega, mas que sempre está disposto em ajudar a todos. "Não tenho nada contra o senhor vereador", disse Hélio, olhando para Dilmo, salientando que pode existir um movimento oculto que tenta desestabilizar a união da Câmara. "Estão tentando nos desarticular"disse no final de seu pronunciamento.

Os outros vereadores que discursaram durante o Pequeno Expediente foram Macedo e Martins. O representante do Legislativo no Baianão, Antonio Macedo, criticou os serviços da Embasa, classificando-os como vergonhosos. "Nas ruas da periferia é comum vermos esgotos transbordando em vias públicas durante dias, sem que a Embasa resolva a questão" Macedo também criticou o policiamento ostensivo da PM na Orla norte, pois de acordo com o edil, enquanto viaturas ficam estacionadas debaixo de sombras de árvores, na extensão da via, traficantes agem em plena luz do dia, oferecendo seus produtos em mesas de barracas. "Eu mesmo ouvi isto de um dono de barraca no final de semana passado, quando fui à praia com minha família", denunciou o vereador.

Martins, que também é policial rebateu Macedo, afirmando que o comando da PM local tem se esforçado para superar as deficiências de segurança em Porto Seguro, pois falta complemento de efetivo e infra-estrutura básica como viaturas, armamentos e até combustível para os carros policiais. "Peço ao presidente da Casa que envie à SSP (Secretaria de Segurança Pública), um ofício, relatando a nossa precariedade na segurança", afirmou Martins, ouvindo de Hélio, que as autoridades do Governo do Estado não conhecem a periferia de Porto Seguro, pois quando aqui desembarcam no aeroporto, só visitam a sede do município ou então embarcam imediatamente em um helicóptero rumo a Trancoso. "Já enviamos vários ofícios ao governador e a SSP sem resultados concretos", disse o presidente, sugerindo aos colegas, que durante a campanha eleitoral que se aproxima, é a hora de dar o troco a tamanho descaso.

O único projeto de maior relevância que constava na Ordem do Dia para votação, é o que regulamenta a utilização de equipamentos sonoros em vias públicas (Projeto de Lei 010/2006), estipulando horários e medição de decibéis (carros de som e similares). Gilvan Florêncio propôs uma emenda no projeto do Executivo para suprimir um dos artigos que dá autonomia ao prefeito em conceder autorizações a trios elétricos. "Isto não está certo! Porque só o prefeito poderá conceder ou não a apresentação de trios?", indagava Gilvan, salientando ser este o único Projeto de Lei, onde a comunidade foi ouvida e participou de sua elaboração. "Só discordo deste item", disse o vereador.

Já o edil Roló, também disse que vai apresentar uma emenda no projeto para que se permita a utilização de som em automóveis particulares. "O turista deve ter este direito de estacionar seu carro e ouvir seu som, afinal ele roda milhares de quilômetros para se divertir na cidade"defende Roló.

Aconselhamos o vereador a ouvir a voz que vem das ruas antes de propor esta emenda, pois uma das maiores reclamações da comunidade é justamente a falta de educação e o abuso cometido por alguns anencéfalos proprietários de automóveis, que ao ligarem o som super potente de seus veículos, passam por cima dos direitos alheios e nos obriga a ouvir o que eles bem entendem, sem citar os malefícios que esta prática abusiva acarreta para a saúde.
Qual seria a sua reação se um destes turistas estacionasse o carro embaixo de sua janela, seja de dia ou de noite, e obrigasse o senhor a ouvir o que ele quer?
Não é com esta visão que vamos conseguir moralizar e ordenar o turismo de Porto Seguro!