
Na sessão da Câmara de ontem, a expectativa
era de que os vereadores Ronildo Vinhas, o Nido, e Dilmo Santiago,
se atacassem mutuamente, como reflexo de um imbróglio
político, criado no final de semana passado no Arraial
d Ajuda. Tudo começou quando Dilmo, na sessão
anterior, se manifestou com certa contrariedade pela interferência
do presidente da Câmara, Hélio de Paula, junto
à Secretaria de Meio Ambiente, que tinha indeferido o
alvará para a apresentação da Banda Asas
Livres.
A pedido de Nido, Hélio procurou saber qual o motivo
alegado pela secretaria para não permitir o show.
Por outro lado, Dilmo alegava que havia um acordo entre a administração
distrital e promotores de eventos locais, que shows públicos
no Arraial, só poderiam acontecer no Parque Central.
Entretanto, os responsáveis que promoviam o show da banda
Asas Livres, afirmaram que já possuíam uma autorização
do administrador do distrito, Pedro Rodrigues, o que de certa
forma contrariava os interesses de Dilmo, que possivelmente
defendia a apresentação da Banda Asas Morenas,
agendada para o mesmo dia do show da Asas Livres (15/04).
O vereador Dilmo também foi acusado de quase ter partido
para a agressao física contra um grupo que defendia o
show, ocorrido no último sábado, quando teria
xingado com palavras de baixo calão, o responsável
pelo carro de som que divulgava o evento.
Mesmo contra a vontade do vereador Dilmo, o show aconteceu por
força de uma liminar da Justiça local.
Ontem, ao fazer o uso da palavra, Ronildo Vinhas, classificou
o acontecimento como "picuinhas políticas",
dando a entender que para ele o assunto estava encerrado, pedindo
desculpas aos presentes e aos colegas, por mais uma vez se ver
obrigado a usar o parlatório para tratar de uma banalidade,
destacando que a população espera deles, vereadores,
empenho em coisas mais importantes.
Por sua vez, Dilmo ao se pronunciar, explicou, que mesmo sendo
líder da bancada governista, não tem poder de
interferência na administração municipal,
e que bateu boca com o sonorizador, pois teria cobrado do mesmo
a licença de execução do serviço
sonoro, e lhe foi apresentado uma licença do ano passado.
"Sou nervoso, nunca escondi isso de ninguém",
admite o vereador, ressaltando, que tentaram fazer com que ele
agredisse um deficiente físico, entretanto, sua esposa
percebeu a manobra e o retirou do local.
Com uma fisionomia carregada e que não escondia sua chateação
com a execução do show, acabou se desgastando
a toa.
O presidente Hélio também se manifestou, e afirmou
que procurou saber o que tinha ocorrido na SMA, como maneira
de auxiliar a um colega, mas que sempre está disposto
em ajudar a todos. "Não tenho nada contra o senhor
vereador", disse Hélio, olhando para Dilmo, salientando
que pode existir um movimento oculto que tenta desestabilizar
a união da Câmara. "Estão tentando
nos desarticular"disse no final de seu pronunciamento.
Os outros vereadores que discursaram durante o Pequeno Expediente
foram Macedo e Martins. O representante do Legislativo no Baianão,
Antonio Macedo, criticou os serviços da Embasa, classificando-os
como vergonhosos. "Nas ruas da periferia é comum
vermos esgotos transbordando em vias públicas durante
dias, sem que a Embasa resolva a questão" Macedo
também criticou o policiamento ostensivo da PM na Orla
norte, pois de acordo com o edil, enquanto viaturas ficam estacionadas
debaixo de sombras de árvores, na extensão da
via, traficantes agem em plena luz do dia, oferecendo seus produtos
em mesas de barracas. "Eu mesmo ouvi isto de um dono de
barraca no final de semana passado, quando fui à praia
com minha família", denunciou o vereador.
Martins, que também é policial rebateu Macedo,
afirmando que o comando da PM local tem se esforçado
para superar as deficiências de segurança em Porto
Seguro, pois falta complemento de efetivo e infra-estrutura
básica como viaturas, armamentos e até combustível
para os carros policiais. "Peço ao presidente da
Casa que envie à SSP (Secretaria de Segurança
Pública), um ofício, relatando a nossa precariedade
na segurança", afirmou Martins, ouvindo de Hélio,
que as autoridades do Governo do Estado não conhecem
a periferia de Porto Seguro, pois quando aqui desembarcam no
aeroporto, só visitam a sede do município ou então
embarcam imediatamente em um helicóptero rumo a Trancoso.
"Já enviamos vários ofícios ao governador
e a SSP sem resultados concretos", disse o presidente,
sugerindo aos colegas, que durante a campanha eleitoral que
se aproxima, é a hora de dar o troco a tamanho descaso.
O único projeto de maior relevância que constava
na Ordem do Dia para votação, é o que regulamenta
a utilização de equipamentos sonoros em vias públicas
(Projeto de Lei 010/2006), estipulando horários e medição
de decibéis (carros de som e similares). Gilvan Florêncio
propôs uma emenda no projeto do Executivo para suprimir
um dos artigos que dá autonomia ao prefeito em conceder
autorizações a trios elétricos. "Isto
não está certo! Porque só o prefeito poderá
conceder ou não a apresentação de trios?",
indagava Gilvan, salientando ser este o único Projeto
de Lei, onde a comunidade foi ouvida e participou de sua elaboração.
"Só discordo deste item", disse o vereador.
Já o edil Roló, também disse que vai apresentar
uma emenda no projeto para que se permita a utilização
de som em automóveis particulares. "O turista deve
ter este direito de estacionar seu carro e ouvir seu som, afinal
ele roda milhares de quilômetros para se divertir na cidade"defende
Roló.
Aconselhamos o vereador a ouvir a voz que vem das ruas
antes de propor esta emenda, pois uma das maiores reclamações
da comunidade é justamente a falta de educação
e o abuso cometido por alguns anencéfalos proprietários
de automóveis, que ao ligarem o som super potente de
seus veículos, passam por cima dos direitos alheios e
nos obriga a ouvir o que eles bem entendem, sem citar os malefícios
que esta prática abusiva acarreta para a saúde.
Qual seria a sua reação se um destes turistas
estacionasse o carro embaixo de sua janela, seja de dia ou de
noite, e obrigasse o senhor a ouvir o que ele quer?
Não é com esta visão que vamos conseguir
moralizar e ordenar o turismo de Porto Seguro!