Salvador, 15
de maio de 2008
Excelentíssimo Governador do
Estado da Bahia
DD Senhor
Jacques Wagner
NESTA
Senhor
Governador.
Em respeito a minha no
história movimento sindical,
à minha família, à categoria
policial, aos meus amigos e
todos aqueles que,de alguma
forma, acompanham a minha
trajetória à
frente do Sindicato dos
Policiais Civis, a qual,
indubitavelmente, não foi
construída apenas por mim,
mas com a participação de
todos os que estiveram
comigo ao longo desses
anos, 23 sendo,
igualmente, forjados na
luta dos
trabalhadores por justiça,
dignidade e igualdade, é
que resolvi escrever esta
carta para expor o meu
sentimento e dizer a V.
Exa., que, para não me
render ao
crime organizado, instalado
na Bahia nas instâncias
policiais e sindicais, estou
encerrando a minha
participação no Movimento
Sindical dos Servidores
Públicos da Bahia.
Tal decisão,
Sr Governador, é fruto da
situação que eu e meus
companheiros de Sindicato
vem enfrentando e que
culminou numa intolerável
invasão armada no Sindicato
dos Policiais Civis da
Bahia, de modo abrupto e que
caracteriza uma nítida
intervenção de Estado no
movimento sindical na Bahia.
Tem-se ainda a corroborar,
com essa violência, o fato
de que alguns dos invasores
sob a proteção do Estado,
são portadores de
biografias afastadas da
moral e da
ética, conforme se pode
constatar nos
antecedentes criminais.
Não é
possível, Exa, que o Estado
se preste a esse papel e dê
guarida a pessoas sobre as
quais recaem acusações
gravíssimas de fácil
constatação através de
inquéritos existentes no
Ministério Público Federal
envolvimento em
crimes de corrupção.
Estamos diante de um quadro
em que se configura,
claramente, que
marchamos a passos largos
para o caos na segurança
pública em virtude da
letargia das
autoridades em adotar
providências enérgicas e
imediatas, fim de extirpar a
ação e os
efeitos danosos dessas
células cancerígenas
incrustadas no organismo
social, cujos tentáculos
tem se expandido
para o organismo policial.
Some-se tudo
isso, a essa manobra espúria
e inconseqüente que trará
danos irreparáveis aparelho
ao policial da Bahia.
Refiro-me, Sr. Governador,
às gratificações
privilegiadas, denominadas
de Condições Especiais
de Trabalho - CET,
concedidas apenas para dois
segmentos da SSP, de 82%
para delegados e 150% para
os oficiais, enquanto
para os agentes, escrivães,
peritos técnicos, sargentos
e soldados sequer foram
contemplados com um aperto
de mão. Gostaria de saber,
Sr. Governador, o que
motivou tal atitude
discriminatória que em
breve eclodirá numa revolta
geral a repercutir
negativamente no
meio policial, cujos
tentáculos atingirão o
próprio governo.
Se hoje temos
uma crescente violência na
Bahia, praticamente sem
controle, em curto espaço
de tempo
dominará ela toda a
sociedade, com as mesmas
consciências vividas no Rio
de Janeiro. Sindicato algum
pode se tornar instrumento
de defesa de interesses
escusos, pior
ainda quando
isso acontece numa
instituição policial.
Se é decisão
do Governo reduzir o
Sindicato Policiais dos
Civis da Bahia a mera figura
de referendo de decisões
danosas aos policiais e,
por extensão, à
sociedade, a exemplo
das vantagens
pecuniárias somente para
delegados e Oficiais da PM,
se querem um sindicato
manipulado por
quem está a soldo de
delegados e devedores da
Lei, se querem um sindicato
vergado a reboque de grupos
e interesses políticos e
pessoais e de decisões
judiciais coerentes com o
pensamento do Governo, não
comungarei com esse
tipo de situação.
Retiro-me do
Movimento Sindical aonde
militei por mais de 20 anos,
porque acredito que nenhuma
representação sindical pode
estar atrelada à corrupção,
a governos e principalmente,
a bandidos. Sei que minha
vida após esta carta não
vale mais nada, mas peço a
V.Exa, pelo
menos isso,
que preserve minha família.
Sempre tive
posições claras, assim como
no movimento sindical, por
acreditar que a
independência dos sindicatos
está sempre acima das
questões ideológicas
ou partidárias.
Sempre cumprindo as
deliberações da categoria, a
qual fui eleito para
representá-la em defesa dos
seus interesses, não poderia
ser omisso a tantas
aberrações que vem ocorrendo
neste governo.
Respeitosamente,
Crispiniano Daltro