Aproximadamente
duas toneladas de lagosta foram apreendidas nesta terça-feira
(10) pela Polícia Civil, em Canavieiras, extremo sul da Bahia. A
suspeita é que o produto, no valor de R$100 mil, tenha sido
pescado sem devida licença e com a utilização de redes, o que é
proibido por lei. A carga foi encontrada no interior de um
caminhão refrigerado da empresa exportadora Netuno S/A, de
Pernambuco, e foi adquirida nas mãos do empresário baiano Carlos
Alberto Facó.
Uma equipe de técnicos do Instituto Nacional do Meio Ambiente e
Recursos Renováveis (Ibama) foi chamada para determinar a origem
da lagosta. Durante a fiscalização realizada à tarde, foram
identificados vestígios de irregularidades em 90% das
embarcações utilizadas pelos pescadores locais. No entanto,
através de sua assessoria de imprensa, a Netuno, uma das
principais do país no ramo de exportação de peixes e mariscos
congelados, afirmou que a compra do produto foi realizada dentro
da lei.
“Ainda não podemos confirmar nada, pois a investigação
prossegue, mas há claros indícios do uso de pesca com rede
caçoeira”, revelou a fiscal do Ibama da Unidade de Eunapólis,
Maria Inês Mendes. A pesca de lagosta com rede é proibida, pois
muitos animais da espécie abaixo do tamanho permitido acabam
sendo mortos, além de prejudicar toda a fauna marinha. Nesta
quarta-feira (11) os fiscais do órgão federal vão analisar a
carga, para saber se o pescado está dentro das normas
ambientais.
A polícia chegou à casa do empresário Carlos Alberto Facó,
também conhecido como “Gang”, através de uma denúncia anônima, e
estranhou o fato de um empresário, que não tem nenhum barco,
conseguir reunir tamanha quantidade de lagosta. “Ele trabalha
como “atravessador”, comprando dos pescadores e revendendo para
grande empresários, que desta forma ficam livres de qualquer
acusação de compra de pescado irregular”, explicou o delegado
titular de Canavieiras, Marcos Diogenes Maia.
O empresário até o momento não apresentou alvará para estocar o
produto, mas alegou que estava agindo dentro da lei e mostrou
uma nota fiscal de venda para a empresa Netuno. No documento
constava a venda de 1.700kg de lagosta ao preço de R$62 o quilo.
“Para ele conseguir tanta lagosta, dificilmente os pescadores
usaram as armadilhas permitidas. Se foi com rede o negócio virou
crime”, alertou Maia.
Fonte: Correio da Bahia
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