Pescadores do município de Alcobaça atearam fogo em uma
caminhonete modelo S10 e em uma lancha do Ibama na manhã desta
terça-feira, 19. Eles protestam contra a fiscalização do órgão
que impede o uso de redes caçoeiras, ou seja, de arrasto na
pesca da lagosta.
O
trevo que liga a cidade de Prado a Caravelas, no extremo sul do
estado, foi bloqueado pelos pescadores. Durante a manhã nenhum
veículo foi autorizado a circular pelo local. Por volta das 12h,
os manifestantes liberaram a pista.
Ameaçada, a equipe do Ibama foi escoltada por policiais até o
Batalhão da Polícia Militar, onde aguardam escolta do exército
para deixar a região.
No
último sábado, o Ibama apreendeu 370 quilos de calda de lagosta.
Uma pessoa foi detida na operação. O material apreendido foi
doado a instituição SOS Vida, em Eunápolis, e a Polícia Militar
de Alcobaça.
Com
base na Instrução Normativa nº 32 do Ibama, a pesca da lagosta
vermelha e cabo verde esteve proibida em todo litoral brasileiro
do dia 1º de janeiro até o dia 15 de junho, a última
sexta-feira.
A
proibição é restrita a lagostas da espécie panulirus argus
(vermelha) que meçam menos de 20,5 centímetros, dos quais 13 cm
devem ser a medida mínima da cauda e da lagosta da espécie
panulirus laevicauda (cabo verde) que, para ser capturada, deve
medir no mínimo 17,5 cm de comprimento, dos quais, 11 cm seja o
cumprimento de sua cauda.
O
período do defeso coincide com a época da reprodução, ou seja, a
desova da lagosta. O Ibama também fiscaliza a forma como a pesca
é feita para evitar a utilização de equipamentos proibidos e que
contribuem para a redução dos estoques pesqueiros, como o
compressor e a rede caçoeira.
Segundo o Ibama, o uso
desses equipamentos favorece a captura de lagostas de qualquer
tamanho, causando prejuízos à conservação da espécie.
Por
EDUARDA TORALLES - A TARDE