Para
os ambientalistas, a situação é preocupante. "É um retrocesso do
ponto de vista ambiental. Nenhum empreendimento que possa gerar
danos à vida marinha de Abrolhos passará por restrições ou
delimitações da área de atuação", explica Guilherme Fraga Dutra,
diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional.
Localizado a 72 quilômetros da costa de Caravelas, no Extremo
Sul da Bahia, o arquipélago de Abrolhos é formado por cinco
ilhas de formação vulcânica. "Nenhuma outra área no Atlântico
Sul concentra tanta diversidade marinha", argumenta Dutra. Além
da variedade de peixes, moluscos e diversos seres marinhos,
Abrolhos abriga a maior extensão de recifes de corais do Brasil.
"Se somar todo recife do parque, temos uma extensão superior ao
que existe na costa brasileira inteira", ressalta.
Abrolhos destaca-se também como elemento indispensável para a
conservação e equilíbrio do ecossistema marinho mundial por ser
o principal local de reprodução das baleias jubartes no litoral
brasileiro. É nas águas mornas no arquipélago que as jubartes,
anualmente, no período de julho a novembro, acasalam e dão à luz
aos filhotes.
"As
baleias saem das ilhas Georgia do Sul, na região polar, para se
reproduzir no Brasil", explica Eduardo Camargo, coordenador
admnistrativo do Instituto Baleia Jubarte em Caravelas.
Apesar
do monitoramento feito nos últimos anos, estudos comprovam que
apenas 10% da população original das jubartes permanece viva. "É
uma espécie em alto risco de extinção. A conservação do
ecossistema do parque marinho de Abrolhos é fundamental para a
preservação das jubartes. Não conseguimos nem imaginar o impacto
de um derramamento de óleo na região. Seria desastroso",
explica.
* As informações são do Jornal A Tarde