Analfabetos baianos já são mais de 2 milhões - 10/05/07

 

A Bahia apresenta o maior número de analfabetos do País (2,05 milhões) e tem o sétimo pior índice de analfabetismo entre os Estados (23,15%). Os dados foram anunciados ontem no lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) na Bahia. O ministro da Educação, Fernando Haddad, participou do evento, que deu início à Caravana da Educação, que percorrerá todos os Estados do País.

O ministro disse que escolheu a Bahia para iniciar a Caravana porque “o Brasil nasceu aqui” e pelos índices “críticos” que o Estado apresenta. Os dados gerais do Brasil também não são nada animadores. Apenas 64 municípios brasileiros (1,2% do total) podem ser considerados livres do analfabetismo – ou seja, ter pelo menos 96% da população alfabetizada. Nenhum deles está no Nordeste.

O governo estadual aproveitou a ocasião para lançar o Topa – Todos pela Educação, que pretende reduzir o índice de analfabetismo na Bahia em 50% até 2010.

O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC), Ricardo Henriques, disse que os secretários municipais de educação da Bahia “deveriam ter pesadelos” com o mapa do analfabetismo no Estado. Dos 417 municípios baianos, 346 têm índices de analfabetismo superiores a 20% (a média nacional é 13%).

Este ano o TOPA vai atingir, prioritariamente, os 38 municípios que têm os piores índices (a maioria está localizada no semi-árido). A previsão é alfabetizar 1 milhão de baianos até 2010 (100 mil pessoas só até o fim deste ano). Os investimentos previstos são de R$ 251,2 milhões (o governo do Estado entraria com cerca de R$ 60 milhões, e o governo federal, com
o restante).

O governador Jacques Wagner explicou o porquê do nome do programa. “Queremos convocar as pessoas. A idéia é exatamente essa: vocês topam enfrentar o drama do analfabetismo?”.
Os gestores (prefeitos e secretários) dos 417 municípios baianos foram convidados para o evento. No total, 300 compareceram. Eles receberam uma pasta personalizada com os dados das suas cidades e as metas a serem atingidas.

A pasta também trazia o termo de adesão ao Topa, que já poderia ser assinado ontem.