A ameaça que Paulo Dapé (sem partido), ex-prefeito de
Eunápolis, fez ao radialista João Bahia, da Band FM local,
está ganhando proporções gigantescas, principalmente nos meios
jornalísticos da Bahia, que temem mais um atentado à liberdade
de imprensa. O fato despertou a atenção da sociedade e o
sindicato que representa a categoria já prepara uma nota de
repúdio.
Na última sexta-feira (26), durante entrevista ao programa do
meio dia da Rádio 98 FM, que é uma emissora educativa, Dapé
afirmou, em tom ríspido e ameaçador, que iria caçar o
profissional da comunicação.
Dapé denunciou que no período em que governou o município,
entre os anos de 1997 e 2000, João Bahia o procurou, em seu
gabinete, afirmando possuir um equipamento que seria capaz de
interferir no som da Rádio Jacarandá, que então fazia críticas
ferrenhas à sua administração.
O ex-prefeito eunapolitano afirmou que, na época, recusou os
serviços e foi mais além, ao declarar que João estaria usando
o mesmo artifício para prejudicar as transmissões da 98 FM,
por isso iria persegui-lo.
Durante toda esta manhã a redação do AN tentou contato com
Paulo Dapé, que atualmente controla a Rádio 98, para ouvir a
sua explicação, mas o mesmo não foi localizado.
João Bahia, pai de dois filhos menores, que atualmente é
locutor e diretor artístico da Rádio Band FM, de Eunápolis,
esteve na delegacia de polícia, no fim da tarde de sábado
(27), onde registrou queixa-crime. Ele também repeliu as
denúncias de Dapé.
Na manhã desta segunda-feira (29), em entrevista ao radialista
Paulo Henrique, na Ativa FM, João chorou e disse temer por sua
vida, pois, segundo ele, toda a cidade sabe que Paulo Dapé é
uma pessoa violenta.
João Bahia disse também que Dapé tem em seu currículo a morte
do radialista Ronaldo Santana, assassinado a tiros em outubro
de 1997, crime pelo qual deverá ser julgado nos próximos
meses.