44.663,
este foi o número oficial de assassinatos no Brasil em 2006, noticiado pelo
articulista Diogo Mainardi na revista Veja de 31 de outubro de 2007. Trata-se
de um número que não pode ser esquecido, repetido, nem aproximado jamais. É
incompreensível. É inaceitável. As autoridades brasileiras, como sempre, têm
suas explicações, mas nada pode justificar, nem mesmo a tentativa. Fazem como
o presidente da Confederação Brasileira de Futebol ao justificar a violência
brasileira em função da existência em outros países. Uma comparação
absolutamente descabida, pois não se pode comparar coisas incomparáveis. Outra
argumentação fajuta é de que não se pode colocar um policial em cada esquina.
Para embasar, não citam em quais cidades têm um policial em cada esquina,
dados os índices ínfimos de assassinatos perto dessa matança deliberada.
Esse artigo menciona que o número de
assassinatos na guerra do Iraque foi de 18655. No Iraque existe uma guerra
declarada que preocupa o mundo todo, mesmo com menos da metade de assassinatos
ocorridos na mais plena paz brasileira. A grande dificuldade é fazer a
população brasileira perceber e combater a mais sangrenta guerra civil da
história mundial.
Todos os dias as televisões mostram
assassinatos e não comove mais a população. O divertimento atual é torrar
pessoas vivas. Primeiro foi uma família inteira e, Bragança Paulista, inteiro
de São Paulo; depois, um ônibus no Rio de Janeiro. Precisou a massa encefálica
de uma criança ser derramada nas ruas para comover virtualmente as pessoas.
Não passou de protestos escritos. Em qualquer outro país uma guerra seria
encerrada com um episódio dessa natureza, por ser encarado como limite de atos
desumanos.
Além disso,
os boys deste país se divertem em tirar vidas com suas máquinas motorizadas.
Uma família com cinco pessoas no interior de São Paulo e outras três em Belo
Horizonte são exemplos recentes de vidas ceifadas no entretenimento dos
mauricinhos. Todas as vidas ao custo de alguns reais para que os assassinos
riam na cara dos sofridos indefesos. E a medida mais dura do estado brasileiro
é culpar as vítimas ou no máximo as leis, criadas exatamente pelos seus
representantes. Mas as mais comuns são: não andar à noite, não parar o carro
nos semáforos, não tirar dinheiro em banco, não abrir a porta para o
entregador de pizzas...não...não...não...
Tudo pago
com desnutridas cestas básicas. Precisa ser revelado o número de assassinatos
e de mortos no trânsito ao final do governo Lula. Se alguma autoridade fosse
ouvida sobre seus próprios números, camuflados sabe-se lá em quanto, diria que
se trata apenas de comentários de um pessimista nato.
Esta meia
centena de assassinatos fechou no mês de dezembro de 2006, um mês após a Veja
São Paulo de 15 de novembro de 2006 estampar na sua capa a queda de homicídios
em 52% na mais populosa cidade do país.
Pedro
Cardoso da Costa ? Interlagos/SP
Bel.
Direito