Venho através desta correspondência fazer uma
denúncia aberta de um fato ocorrido no dia 17 de Maio
de 2006, quando eu precisei encaminhar minha filha de 25 dias
ao atendimento de emergência do Hospital Dept. Luiz Eduardo
Magalhães, em Porto Seguro.
Quero salientar que a minha indignação não
se dá pela demora do atendimento. Demora tolerada com
aparentemente muitos atendimentos a serem feitos.
No dia 17 de Maio de 2006, minha filha, que ainda não
completou um mês de vida, apresentava os sintomas clássicos
de uma forte gripe, como estado febril, tosse, congestão
no peito, olhos lacrimejantes, espirros constantes, além
de prisão de ventre.
Eu e minha esposa tomamos a decisão de leva-la ao atendimento
de emergência do Hospital Dept. Luiz Eduardo Magalhães,
as 19:00. Chamei um táxi. Chegamos no HLEM e fomos atendidos
na recepção onde foi feita uma ficha. A atendente
pediu para colocarmos a ficha dentro de uma caixa suspensa na
entrada do atendimento infantil. Havia muitos pais e crianças
aguardando o atendimento, a respectiva caixa transbordava de
fichas. Depois de uma espera de 40 minutos veio uma assistente
e informou:
"O atendimento vai demorar, tem muitas crianças
lá dentro e a Dra. Daniela esta com um caso de emergência".
Passaram-se 15 minutos e muitos pais foram embora com as crianças
sem atendimento. Detalhe: a caixa suspensa continuava lotada
de fichas.
Após passar o período de uma hora, o saguão
lotou novamente de pacientes. A atendente, assistente, ou sei
lá como classificá-la, apareceu no nada e informou
novamente. "O atendimento vai demorar, tem muitas crianças
lá dentro e a Dra. Daniela esta com um caso de emergência".
A esta altura, já tinha se somado a outras, uma criança
que tinha sofrido uma queda e batido a cabeça que aparentemente
estava prostrada e aguardava atendimento por mais de duas horas.
Tinha um pai segurando nos braços seu filho com falta
de ar, e a criança estava perdendo os sentidos, e o pai
desesperado clamava por socorro. A resposta que este pai tinha
era: "O Sr. tem que aguardar, a Dra. Daniela esta ocupada"
A criança começou a perder os sentidos e parar
de respirar. O pai corajosamente entrou sala adentro e exigiu
atendimento. A criança foi atendida e encaminhada para
a internação.
Posteriormente este pai me confidenciou. "Toda hora estão
dizendo que tem muita criança para atender lá
dentro, mas só tem uma criança na maca".
Eu já tinha reparado que durante todo o tempo que eu
estava ali não entrava ninguém. Como poderia estar
lotado?. Enquanto aguardávamos pacientemente por atendimento
a mais de três horas, novamente surgiu do nada a funcionaria
explicando. "O atendimento vai demorar, tem muitas crianças
lá dentro e a Dra. Daniela está com um caso de
emergência".
No meio de pedidos de "Pelo amor de Deus" "meu
filho ou filha não está passando bem", muitos
pais foram embora.
Restou eu, minha esposa e mais quatro pais com seus respectivos
filhos.
A atendente voltou, pegou um monte enorme de fichas e começou
a fazer uma chamada oral por nome de crianças. As fichas
eram todas preenchidas em computador e a atendente tinha dificuldade
para ler nomes simples, como Gabriela, (minha filha). Minha
esposa então se prontificou a ajudar e passou a fazer
a chamada. As fichas foram ficando na minha mão, e pude
observar que existiam fichas desde as 09:00 da manhã.
Concluo que muitos pais desistiram e foram embora sem atendimento.
Agora pergunto: Se estas fichas ainda estavam ali, como a Dra
Daniela estava com muitos pacientes lá dentro?
Depois da triagem ser feita, a atendente pegou um termômetro,
pediu para minha esposa medir a temperatura de minha filha,
e em seguida, a atendente pegou o termômetro e fez o mesmo
com outra criança, sem esterilizá-lo.
As fichas sumiram, ficaram somente os cinco, também sumiu
todo mundo do atendimento.
Minha esposa perguntou para um funcionário que apareceu:
"Vai demorar?" O funcionário disse: "Sim
vai, tem muita criança lá dentro para a Dra. Daniela
atender".
Neste momento, minha esposa entrou para verificar quantas crianças
estavam sendo atendidas pela Dra. Daniela, já que a maioria
j´s tinha ido embora, sem atendimento.
Pasmem! Dentro da sala tinha apenas uma mãe acompanhando
a inalação da criança e mais ninguém.
Não havia nenhum médico!
O relógio marcava 23 hs em ponto e nós já
estávamos ali desde às 19 hs. Chamei um funcionário
e desabafei!. "Olha só, eu trabalho para dois jornais
da cidade, o Topa Tudo e o Porto Seguro
Notícias! Não tenho dificuldade em chamar
a PM, a Imprensa e fazer denúncia deste descaso que esta
ocorrendo aqui dentro. Este atendimento tem que começar
agora, já! Vou acionar toda a equipe de reportagem. E
te pergunto: Para onde vai aquele monte de fichas que foi recolhido?".
Ele arregalou os olhos e disse: "O Sr. tem alguma reclamação
de mim?"
"Não de maneira alguma, mas responde o que te perguntei".
Ele respondeu dizendo que o diretor do hospital estava presente
e me perguntou se eu queria falar com ele. "Piorou a situação,
está mais que provado a falta de liderança, chefia,
coordenação, descaso e desrespeito. Para onde
vão as fichas?". "Vai para o arquivo",
respondeu.
"Para o arquivo ou é encaminhado para ser feito
o recebimento financeiro de atendimentos que não foram
feitos?, indaguei.
Segurando no meu braço e falando baixo ele disse: "Não
me envolva nisto como funcionário. O Sr. tem todo o direito
de reclamar, concordo, as coisas aqui não estão
bem. Investigue, é o direito que o Sr. tem!". "Se
o atendimento não começar agora vou fazer o que
eu prometi".
Imediatamente surgiu a tal Dra Daniela - CRM 16089, Dra. Henriene
Schneider Ruy - CRM 15651. As duas parecendo duas ditadoras.
Minha filha finalmente foi chamada para o atendimento. Entrei
na sala acompanhando minha filha e esposa. Vi esta Dra. Daniela
com ar arrogante, sentada em uma cadeira de uma maneira nada
convencional e ética para um medico. Foi categórica.
"O pai sai da sala".
Minutos se passaram, e vejo minha esposa, nervosa, dizendo que
não ia deixar dar uma injeção!, que minha
filha foi encaminhada para a inalação onde os
tubos estão furados e todos os medicamentos abertos,
e quando perguntou o que teria acometendo minha filha, a médica
disse. "Aqui só atendemos emergência, para
dor de barriga e coisinhas assim leve para o Posto de Saúde".
Tenho comigo o nome e endereço de seis pais que estão
dispostos a denunciar todo este descaso com crianças
e mais o motorista de táxi que ficou à nossa disposição
até o nosso retorno.
Se eu não tivesse mencionado o nome dos Jornais que trabalho
será que minha filha teria sido atendida? (aliás,
muito mau atendida diga-se de passagem).
Gostaria também de saber para onde vão as fichas
de atendimentos não concluídos?. Será que
o hospital recebe sem dar o atendimento?.
Para finalizar expresso minha indignação em ver
todas aquelas crianças carentes precisando de um medicamento,
de pais que tiveram dificuldades em chegar até o hospital,
saírem sem o atendimento que tem direito.
Atenção Ministério Público!!!!!
Messias
Tel: 3268 - 4275 - pcclinica_web@hotmail.com / messias@pcclinica.com.br