Moradores fazem parto na Balsa - 02/04/07

Os moradores do Arraial d’Ajuda continuam se sentindo lesados com as balsas. Dessa vez, a ambulância da Vó Jurema estava levando uma grávida em trabalho de parto para o hospital Luis Eduardo Magalhães. E não conseguiram chegar lá, porque a demora no atendimento foi, mais uma vez, feito com muita lentidão.

 Segundo o morador e membro do CONSEG-Conselho Comunitário de Segurança Pública de Arraial d’Ajuda, Rodrigo Penna, quando ele chegou na balsa, por volta das 19h, a ambulância já estava no local, esperando a chegada de uma balsa, pois não havia nenhuma. Não adiantou ligar e avisar aos funcionários das balsas. “Quando percebemos, o bebê estava nascendo. Eu e o Jôe, filho da Vó Jurema, fizemos o parto ali mesmo. Fui até uma pousada, pedi lençóis, água quente e fizemos o que podíamos. A demora foi tanta, que deu tempo do bebê nascer”. Segundo Rodrigo, a mãe teve “sorte”. “É emocionante e ao mesmo tempo revoltante termos que passar por isso. A gestante teve” sorte “, porque tivemos a frieza para ajudá-la. Uns dez minutos depois a balsa chegou com a ambulância do SAMU. Foi a hora que respirei aliviado, porque sabia que a mãe e o bebê seriam atendidos da maneira certa. A enfermeira cortou o cordão umbilical, passamos os dois para o SAMU, e eles seguiram para Porto Seguro”, completo Rodrigo revoltado com o descaso das balsas.

 Segundo acordo firmado com o Ministério Público, os donos das embarcações iriam respeitar horários pré-estabelecidos, saindo de vinte em vinte minutos, com uma tolerância de dez minutos. E SEMPRE que houvesse uma emergência médica, a balsa teria que sair na mesma hora, o que não tem acontecido.