Os moradores do Arraial d’Ajuda
continuam se sentindo lesados com as balsas. Dessa vez, a
ambulância da Vó Jurema estava levando uma grávida em trabalho
de parto para o hospital Luis Eduardo Magalhães. E não
conseguiram chegar lá, porque a demora no atendimento foi,
mais uma vez, feito com muita lentidão.
Segundo o morador e membro do
CONSEG-Conselho Comunitário de Segurança Pública de Arraial d’Ajuda, Rodrigo Penna, quando ele chegou na balsa, por volta
das 19h, a ambulância já estava no local, esperando a chegada
de uma balsa, pois não havia nenhuma. Não adiantou ligar e
avisar aos funcionários das balsas. “Quando percebemos, o bebê
estava nascendo. Eu e o Jôe, filho da Vó Jurema, fizemos o
parto ali mesmo. Fui até uma pousada, pedi lençóis, água
quente e fizemos o que podíamos. A demora foi tanta, que deu
tempo do bebê nascer”. Segundo Rodrigo, a mãe teve “sorte”. “É
emocionante e ao mesmo tempo revoltante termos que passar por
isso. A gestante teve” sorte “, porque tivemos a frieza para
ajudá-la. Uns dez minutos depois a balsa chegou com a
ambulância do SAMU. Foi a hora que respirei aliviado, porque
sabia que a mãe e o bebê seriam atendidos da maneira certa. A
enfermeira cortou o cordão umbilical, passamos os dois para o
SAMU, e eles seguiram para Porto Seguro”, completo Rodrigo
revoltado com o descaso das balsas.
Segundo
acordo firmado com o Ministério Público, os donos das
embarcações iriam respeitar horários pré-estabelecidos, saindo
de vinte em vinte minutos, com uma tolerância de dez minutos.
E SEMPRE que houvesse uma emergência médica, a
balsa teria que sair na mesma hora, o que não tem acontecido.