A rodoviária de Porto Seguro foi tema de excelente reportagem
na última edição do Jornal Topa Tudo, cuja
matéria assinada pela jornalista Malú Estevão,
abordou a agonia do local, que passa por sérios problemas
de manutenção, segurança e falta de água.
Dando continuidade a esta abordagem jornalística, fomos
levantar as causas que levaram ao crítico estado em que
se encontra. Não vamos questionar a necessidade da construção
de um novo terminal rodoviário ou a reforma da existente,
e sim a administração em si, pois é de
nosso conhecimento que, como se fosse um bem de família,
desde a inauguração, a direção do
leme da Rodoviária, ao longo dos anos, vem passando de
pai para filho. Wagner Brito, o atual administrador é
filho do casal Eliezer e Josete que também já
dirigiram os rumos da Rodoviária. Esta constatação
faz com que o Terminal Rodoviário de Porto Seguro se
caracterize como uma propriedade da família Brito que,
talvez por favores políticos no passado, se mantenha
até hoje no cargo que parece ser vitalício.
Pois bem, é sabido que a cada passagem vendida nos guichês
do terminal são recolhidos
R$ 0.50, valor este denominado de taxa de embarque. Em qualquer
outro terminal rodoviário do país, esta taxa é
revertida para a manutenção das instalações.
Atualmente operam na Rodoviária de Porto Seguro oito
empresas de ônibus: Brasileiro, Rota, São Geraldo,
Gontijo, Entram, Águia Branca, Águia Azul e Novo
Horizonte. Estas oito empresas juntas, segundo dados levantados
nos próprios guichês, vendem em média 18
mil passagens por mês na baixa estação.
Se considerarmos o período de verão, podemos acrescentar
um percentual de 30%, como o próprio administrador nos
afirmou por telefone.
Para se ter uma idéia do que é arrecadado, apenas
a Brasileiro, no mês passado, pagou ao administrador quase
7 mil reais referente a taxas de embarques. Durante a baixa
estação estimamos que se arrecade cerca de R$
9 mil por mês, quantia suficiente para administrar bem
o local, pois de acordo com Wagner, seus gastos se resumem há
três funcionários terceirizados na limpeza, um
vigilante noturno e dois empregados contratados pela própria
administração. Não estamos contabilizando
o dinheiro arrecadado no uso dos banheiros, prática esta
que não deveria existir, sendo alvo em muitas cidades
de ações de órgãos de Defesa do
Consumidor, devido sua inconstitucionalidade.
Já que tivemos dificuldades de acessar todos os custos,
calculamos que o administrador desembolse entre R$ 4 e R$ 5
mil reais por mês para fazer a Rodoviária funcionar.
No mês passado faltou água na rodoviária,
pois o atual poço secou e, para sanar o problema, Wagner
contratou uma empresa de Eunápolis, que orçou
a obra, segundo ele, em R$ 6 mil.
Em nosso contato telefônico, o administrador afirmou estar
custeando a obra com recursos da Rodoviária, entretanto,
soubemos que Wagner enviou ofícios às empresas
que operam no terminal solicitando uma colaboração
de R$ 800 reais de cada uma. Porque não existe dinheiro
na administração para pagar a obra?
Questionado de como controla o número de passagens vendidas,
o mesmo alega acompanhar através de canhotos das passagens;
mas o que foi apurado é que Wagner passa em alguns guichês
diariamente e, em outros, de três em três dias,
como se tivesse recolhendo o lucro de seu negócio; deixando
transparecer que de acordo com suas necessidades imediatas sabe
onde fazer dinheiro.
As perguntas que não querem calar são:
Como uma família e, não uma empresa, como deveria
de ser, consegue ficar à frente de um bem público
durante anos a fio? Quanto realmente se arrecada na Rodoviária?
O que se faz com o dinheiro? Como se prestam contas destes valores?
Como se controla a venda de passagens, já que não
existem roletas. Por que a Prefeitura permite?
Para tentar responder a estas indagações entramos
em contato com o Procurador do Município, Dr. Glauco
Tourinho, que nos orientou a contatar o secretário de
Turismo, Anderson Quaresma; já que, segundo Glauco, a
Secretaria de Turismo tinha novidades para repassar, salientando
que Anderson teria o maior interesse em esclarecer a questão.
Ao atender ao telefone o secretário foi logo se antecipando,
afirmando que estava em reunião. Pedimos ao secretário
apenas um minuto de atenção e informamos a ele
que este veículo de informação é
diário, insistindo para que retornasse então a
ligação assim que terminasse seu compromisso.
"Fale a verdade quando escrever sobre o assunto",
afirmou o secretário por telefone. Mas que verdade, senhor
secretário? Se o senhor não quer ou não
sabe responder a estas indagações acima, muito
menos este veículo poderá fazê-lo. Acreditamos
se tratar de um assunto de grande interesse da comunidade, pois
soubemos que está sendo formalizada uma parceria com
a Secretaria de Turismo, visando resolver este problema, mas,
no entanto, o secretário não retornou a nossa
ligação; nos impedindo, portanto, de informar
com clareza quais serão as medidas adotadas. Supomos
que o correto desde o início seria a abertura de licitação
visando à contratação de uma empresa especializada
no assunto.
Fica desde já garantido o espaço para que o secretário
de Turismo possa explicar, quando tiver tempo, sobre as medidas
tomadas por sua secretaria.
Nota da redação
Quando atendeu a ligação
no seu celular, o secretário de Turismo, Anderson Quaresma,
em tom de conselheiro, nos sugeriu para que publicássemos
a verdade. Gostaríamos de saber em que sentido o secretário
desconfia que não pautemos nosso trabalho em cima de
verdades? Imagino que possa se tratar de alguma avaliação
pessoal, ou então, que seja referente há algum
outro jornal que eu tenha trabalhado em Porto Seguro. Labuto
nesta cidade há quase três anos, onde fui editor
do extinto Jornal Acontece, editei desde outubro de 2004 até
o mês de fevereiro de 2006 o Jornal Topa Tudo e, agora
dirijo este jornal eletrônico, Porto Seguro Notícias,
que apesar de ser recente, também pautará o trabalho
em cima da verdade. O senhor Anderson Quaresma pode ter certeza
de que não só a comunidade portosegurense, ou
internautas de todos os cantos do país ou do mundo, já
que estamos registrando também acessos de outros países,
como também ele, ainda poderão ler muitas verdades
que serão publicadas nas páginas deste jornal
eletrônico.