Rodoviária de Porto Seguro, de pai para filho desde 1990


A rodoviária de Porto Seguro foi tema de excelente reportagem na última edição do Jornal Topa Tudo, cuja matéria assinada pela jornalista Malú Estevão, abordou a agonia do local, que passa por sérios problemas de manutenção, segurança e falta de água.

Dando continuidade a esta abordagem jornalística, fomos levantar as causas que levaram ao crítico estado em que se encontra. Não vamos questionar a necessidade da construção de um novo terminal rodoviário ou a reforma da existente, e sim a administração em si, pois é de nosso conhecimento que, como se fosse um bem de família, desde a inauguração, a direção do leme da Rodoviária, ao longo dos anos, vem passando de pai para filho. Wagner Brito, o atual administrador é filho do casal Eliezer e Josete que também já dirigiram os rumos da Rodoviária. Esta constatação faz com que o Terminal Rodoviário de Porto Seguro se caracterize como uma propriedade da família Brito que, talvez por favores políticos no passado, se mantenha até hoje no cargo que parece ser vitalício.

Pois bem, é sabido que a cada passagem vendida nos guichês do terminal são recolhidos
R$ 0.50, valor este denominado de taxa de embarque. Em qualquer outro terminal rodoviário do país, esta taxa é revertida para a manutenção das instalações.
Atualmente operam na Rodoviária de Porto Seguro oito empresas de ônibus: Brasileiro, Rota, São Geraldo, Gontijo, Entram, Águia Branca, Águia Azul e Novo Horizonte. Estas oito empresas juntas, segundo dados levantados nos próprios guichês, vendem em média 18 mil passagens por mês na baixa estação. Se considerarmos o período de verão, podemos acrescentar um percentual de 30%, como o próprio administrador nos afirmou por telefone.

Para se ter uma idéia do que é arrecadado, apenas a Brasileiro, no mês passado, pagou ao administrador quase 7 mil reais referente a taxas de embarques. Durante a baixa estação estimamos que se arrecade cerca de R$ 9 mil por mês, quantia suficiente para administrar bem o local, pois de acordo com Wagner, seus gastos se resumem há três funcionários terceirizados na limpeza, um vigilante noturno e dois empregados contratados pela própria administração. Não estamos contabilizando o dinheiro arrecadado no uso dos banheiros, prática esta que não deveria existir, sendo alvo em muitas cidades de ações de órgãos de Defesa do Consumidor, devido sua inconstitucionalidade.

Já que tivemos dificuldades de acessar todos os custos, calculamos que o administrador desembolse entre R$ 4 e R$ 5 mil reais por mês para fazer a Rodoviária funcionar.
No mês passado faltou água na rodoviária, pois o atual poço secou e, para sanar o problema, Wagner contratou uma empresa de Eunápolis, que orçou a obra, segundo ele, em R$ 6 mil.
Em nosso contato telefônico, o administrador afirmou estar custeando a obra com recursos da Rodoviária, entretanto, soubemos que Wagner enviou ofícios às empresas que operam no terminal solicitando uma colaboração de R$ 800 reais de cada uma. Porque não existe dinheiro na administração para pagar a obra?
Questionado de como controla o número de passagens vendidas, o mesmo alega acompanhar através de canhotos das passagens; mas o que foi apurado é que Wagner passa em alguns guichês diariamente e, em outros, de três em três dias, como se tivesse recolhendo o lucro de seu negócio; deixando transparecer que de acordo com suas necessidades imediatas sabe onde fazer dinheiro.

As perguntas que não querem calar são: Como uma família e, não uma empresa, como deveria de ser, consegue ficar à frente de um bem público durante anos a fio? Quanto realmente se arrecada na Rodoviária? O que se faz com o dinheiro? Como se prestam contas destes valores? Como se controla a venda de passagens, já que não existem roletas. Por que a Prefeitura permite?
Para tentar responder a estas indagações entramos em contato com o Procurador do Município, Dr. Glauco Tourinho, que nos orientou a contatar o secretário de Turismo, Anderson Quaresma; já que, segundo Glauco, a Secretaria de Turismo tinha novidades para repassar, salientando que Anderson teria o maior interesse em esclarecer a questão.

Ao atender ao telefone o secretário foi logo se antecipando, afirmando que estava em reunião. Pedimos ao secretário apenas um minuto de atenção e informamos a ele que este veículo de informação é diário, insistindo para que retornasse então a ligação assim que terminasse seu compromisso.
"Fale a verdade quando escrever sobre o assunto", afirmou o secretário por telefone. Mas que verdade, senhor secretário? Se o senhor não quer ou não sabe responder a estas indagações acima, muito menos este veículo poderá fazê-lo. Acreditamos se tratar de um assunto de grande interesse da comunidade, pois soubemos que está sendo formalizada uma parceria com a Secretaria de Turismo, visando resolver este problema, mas, no entanto, o secretário não retornou a nossa ligação; nos impedindo, portanto, de informar com clareza quais serão as medidas adotadas. Supomos que o correto desde o início seria a abertura de licitação visando à contratação de uma empresa especializada no assunto.
Fica desde já garantido o espaço para que o secretário de Turismo possa explicar, quando tiver tempo, sobre as medidas tomadas por sua secretaria.

Nota da redação

Quando atendeu a ligação no seu celular, o secretário de Turismo, Anderson Quaresma, em tom de conselheiro, nos sugeriu para que publicássemos a verdade. Gostaríamos de saber em que sentido o secretário desconfia que não pautemos nosso trabalho em cima de verdades? Imagino que possa se tratar de alguma avaliação pessoal, ou então, que seja referente há algum outro jornal que eu tenha trabalhado em Porto Seguro. Labuto nesta cidade há quase três anos, onde fui editor do extinto Jornal Acontece, editei desde outubro de 2004 até o mês de fevereiro de 2006 o Jornal Topa Tudo e, agora dirijo este jornal eletrônico, Porto Seguro Notícias, que apesar de ser recente, também pautará o trabalho em cima da verdade. O senhor Anderson Quaresma pode ter certeza de que não só a comunidade portosegurense, ou internautas de todos os cantos do país ou do mundo, já que estamos registrando também acessos de outros países, como também ele, ainda poderão ler muitas verdades que serão publicadas nas páginas deste jornal eletrônico.