Em
entrevista nesta sexta-feira (4) ao Programa Bom Dia Ministro,
transmitido em cadeia nacional de rádio pela Empresa Brasil de
Comunicação, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme
Cassel, informou que os agricultores e agricultoras familiares
já podem procurar os bancos para apresentar suas propostas de
financiamento pelo Plano Safra Mais Alimentos. Com uma linha de
crédito de até R$ 100 mil, pagamento até 10 anos e juros de 2%
ao ano, o Mais Alimentos engloba R$ 6 bilhões neste ano-safra
2008/2009. Esse recurso está incluído nos R$ 13 bilhões
anunciados nesta quinta-feira (3) pelo presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, para o Plano Safra da Agricultura
Familiar.
“Os bancos já estão orientados a fazer as operações com os
agricultores familiares”, afirmou o ministro. “A meta é, em três
anos, aumentar a produção de alimentos pela agricultura familiar
em 18 milhões de toneladas/ano no País. Isso significa dois
meses e meio de abastecimento de toda a população brasileira”.
Os principais focos do Mais Alimentos são o leite, milho,
suínos, arroz, mandioca, trigo, café, frutas, feijão, cebola e
soja, além da criação de aves. Esses são itens nos quais a
produtividade pode ser rapidamente ampliada, segundo
levantamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Durante a entrevista, o ministro esclareceu dúvidas de
jornalistas de todo o País sobre as formas de implementação do
Mais Alimentos. Explicou, por exemplo, que a ação foi elaborada
para possibilitar melhor produção e produtividade na agricultura
familiar, mas sem riscos de endividamento pelo produtor. “O
financiamento poderá ser pago em dinheiro ou com a própria
produção”, enfatizou Cassel.
O Mais Alimentos também estimula a disseminação de tecnologia e
conhecimento nas propriedades familiares. Há descontos de até
17,5% para a compra de tratores e outros implementos agrícolas.
Na assistência técnica, a projeção é que o número de técnicos
aumente dos atuais 20 mil para 30 mil até 2010. A medida também
prevê incentivos para a comercialização e armazenagem dos
alimentos.
Crise de preços dos alimentos
O ministro explicou que a implementação do Plano Safra da
Agricultura Familiar está amparada numa estreita relação com as
instituições bancárias para que o atendimento ao agricultor
familiar ocorra de forma ágil. “Queremos colocar os R$ 13
bilhões no mercado para produzir mais e mais. O coração desse
Plano é ajudar toda a sociedade brasileira a enfrentar essa
crise do preço dos alimentos que assola todo o mundo”, disse.
Ele lembrou que, segundo analistas internacionais, a atual crise
deve se prolongar por mais cinco ou dez anos, mas que o Brasil
vive uma situação confortável em relação a outros países. “De
acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a
Agricultura e Alimentação), a cesta básica aumentou 83% no
restante do mundo, enquanto no Brasil subiu 25%. Isso ocorreu
porque a agricultura familiar aqui é forte e produz cerca de 70%
do que comenos no dia-a-dia, pois produz objetivamente para o
mercado interno”, informou.
Para o ministro, o Mais Alimentos é um esforço do Governo
Federal em produzir mais para evitar que a crise do preço dos
alimentos prejudique a população de mais baixa renda. “Por isso
nossa palavra de ordem é produzir, mas produzir com qualidade e
respeito ao meio ambiente”, ressalvou.
Liberação de recursos
Na entrevista, a preocupação com eventuais atrasos na liberação
dos recursos para financiamentos nesta safra 2008/2009 foi
levantada. Cassel afirmou que isso não deve ocorrer este ano, já
que as resoluções do Banco Central não atrasaram.
O ministro destacou, ainda, que o Mais Alimentos tem um caráter
social ao se preocupar com a melhoria da renda nas propriedades
rurais a partir do aumento e da qualidade na produção. De acordo
com Cassel, a União e os governos dos estados, juntamente com as
empresas estaduais de assistência técnica, estão criando
condições para o conhecimento e o acesso a outras possibilidades
na agricultura, o que reduz a prática da monocultura. “Todos
estão vendo que, ao contrário de insistir em monocultura, é mais
seguro e rentável produzir alimentos básicos para a população.
Quem hoje está produzindo alimento, está tendo renda e
estabilidade”, comentou.
Fonte: MDA -
Incra