
Escrever qualquer linha sobre David Coverdale,
ou mesmo sobre o Whitesnake é muito fácil, pois com o advento da
internet e suas enciclopédias virtuais se acha biografia até do cara
que vende picolé na praia. Porém quando se trata de um fã
escrevendo, que passou boa parte de sua adolescência e idade adulta
ouvindo as baladas mela-cuecas, as porradas sonoras e a voz rouca do
mestre ficam muito prazerosas e até de certa forma difícil, pois
sabendo de tantos fatos e curiosidades, tenho que resumir e me ater
apenas aos quase 120 minutos de show. Vamos lá então...
Uma noite
de muito frio em São Paulo, por volta de 12 graus e que registrou
mais um congestionamento recorde de mais de 200 kms. De lentidão. No
meio desse caos, 8.000 fãs alucinados tentando chegar o mais rápido
possível para pegar um lugar onde se pudesse ver o seu ídolo o mais
próximo possível. O Credicard estava abarrotado, pois os ingressos
se esgotaram no segundo dia de vendagem. Às 22:30 hs. As luzes se
apagaram, e uma pequena introdução instrumental anuncia o que está
por vir. Uma gritaria só e um empurra-empurra master se instaurou no
lugar. De repente no meio da escuridão, com seu tradicional gesto
com o pedestal do microfone empunhado em posição quase que genital
(bela descrição essa), David Coverdale nos saúda com um berro saído
das suas entranhas Are you ready? ...São Paulooooooooo...Aquilo lá
veio abaixo. Arrepiou até os últimos fios de cabelo de quem estava
presente. Estava aberta a quarta etapa da tour brasileira de 2008 do
fantástico álbum “Good to be bad” do whitesnake. A primeira música
do show foi a excelente Best years do excelente trabalho novo, onde
Coverdale afirma que os últimos anos vem sendo os melhores de sua
vida. O público cantou cada palavra e cada sussurro da música,
deixando até mesmo os músicos com sua experiência e vivência
extremamente emocionados. Esse era o prenúncio de que o que estava
por vir seria algo fantástico. Mal acabou a primeira música eles
emendaram com Fool for your loving, um clássico que foi gravado no
ainda vinil “ready and willin’ de 1.980 e mereceu uma regravação em
1989 com Steve Vai nas guitarras no álbum “slip of the tongue”. Não
precisa nem dizer que todo mundo ali sabia cada palavra. Depois
vieram Bad boys, onde Coverdale deu uma pausa para falar com o
público e fazer com que todos tivessem tempo de respirar um pouco.
Ele disse que era um prazer estar de volta numa cidade tão legal...e
apresentou a próxima música do disco novo Can you hear the wind
blow. Uma música pesadona , com letra romântica rsss...só pra variar
um pouco. Depois ele conversa mais um pouco com a platéia, e anuncia
o mega-hit Love ain’t no stranger, dedicando-a ao ex-companheiro de
banda Mel Galley, o qual dividiu a autoria dessa música , e está
passando por um câncer terminal de esôfago. Depois veio a suposta
música de trabalho deles, pois tem até clipe rolando na Internet Lay
down your love, que tem pitadas de Led Zeppelin e refrão grudento
que nem chiclete. Foi muito bem recebida pelo público, mas o bicho
pegou quando anunciou Is this love. Esse sim é clássico e agrada
desde o mais radical roqueiro, até o cara que não sabe nem do que se
trata, mas conhece a música. Depois disso, o público já ganho
totalmente, os dois guitarristas Reb Beach(ex Winger) e Doug Aldrich
(ex DIO) travaram um duelo em um tema bluesístico cheio de
improvisos e fritações guitarrísticas que foi nomeado de Snake
Dance, emendando em Crying in the rain...Haja coração!!!Durante essa
música, mais uma pausa para o Batera novo (Chris Frazier) mostrar
serviço e fazer um belo solo de bateria no meio da música que após o
solo foi devidamente finalizada e ovacionada por todos ali
presentes. Após isso Coverdale que esbanjava simpatia e arrancava
suspiros de menininhas que poderiam facilmente ser suas netinhas,
apresenta a banda e anuncia que a próxima música não estava nos
planos, mas é muito pedida toda a vez que ele vem ao Brasil. A
música é The deeper the love, onde ele e Doug Aldrich fizeram uma
versão acústica, bem nos moldes de Starkers in Tokyo. Creio que foi
um dos pontos altíssimos do show, se é que teve algum ponto baixo.
Na seqüência eles emendaram pra levantar todo mundo de vez e sem
piedade nos atropelar com os rolos compressores de Give me all your
love e Here I go again. Duas pauladas que não deixou ninguém parado.
Eles se despediram do palco com cara de que rolaria um bis explícito
e todo mundo gritando sem arredar os pés do chão. Eles voltam com a
balada Ain’t no love in the heart of the city, que não precisa nem
dizer que todo mundo cantou tudo...Nem falo mais nada...Todo mundo
sabe que cantaram tudo mesmo… rssss… é chover no molhado. A música
acabou e a platéia continuou cantando...etos...Eu disse que não iria
mais falar isso...Nesse momento David nitidamente emocionado
resolveu atender mais um pedido da audiência que era Guilty of love,
música do Slide it in de 1.984. Ele começou a cantar sozinho e no
improviso a banda começou a entrar na música, executando-a até o
final com solo e tudo no improviso. A casa tava ganha e todo mundo
boquiaberto com tamanho carisma e disposição ante os seus 57 anos.
Ele chegou a fazer um gracejo com uma revista pornô chamada Brazil e
começou a olhar as fotos e fazer cara de espanto. Depois disso, eles
mandaram Still of the night, clássico do álbum de 1.987 e buscou
todas as notas altas como se estivesse com 25 anos de idade.
Teoricamente as coisas meio que parariam por aí, mas ele cantou a
Capella a música Soldier of Fortune do Deep Purple , emocionando a
todos mais uma vez. Todo mundo rindo, chorando, pulando, enfim
rendidos ao que estava acontecendo. Aí foi a vez do povo pedir um
clássico do Deep Purple, que como é de costume eles vem apresentando
desde o DVD gravado ao vivo em 2004. Todo mundo aos gritos de
Burn,burn,burn,burn,burn...e....O guitarrista Doug Aldrich puxou o
riff da música para o delírio dos presentes... No meio eles ainda
emendaram Stormbringer que é mais outro clássico do Deep Purple e
voltaram pra Burn novamente. Uma doidera só...Todo mundo pulava mais
que pipoca ali dentro e a casa tava tão cheia que se você.
Levantasse o braço, teria que ficar com ele levantado até o final,
pois não conseguia mais abaixa-lo, de tanta gente ali...Uma doidera
mesmo. Eles mandaram com perfeição mais esse clássico do Deep
Purple, vindo a fechar com chave de ouro esse maravilhoso show. Todo
mundo saiu feliz, sabendo que cada centavo daquele ingresso valeu.
Resta-nos esperar por uma volta em terras brasileiras. Nome dos
Músicos:
Doug Aldrich (guitarra), Reb Beach (guitarra), Uriah Duffy (baixo),
Timothy Drury (teclados) e Chris Frazier (bateria). David Coverdale
nem precisa falar né...
Beijão a todos, fiquem com Deus e keep on rockin’...
Ackua é músico e compositor, além de cantar em uma banda, Ackabanda.
Respeitado no cenário paulistano e possuidor de uma voz muito
parecida com a de Davis Coverdale, em suas músicas, a voz é sempre o
maior destaque.
Confira:
www.ackuaband.com.br
http://www.youtube.com/watch?v=OQvX1bMb1dc
e-mail :